Na primeira vez que ouvi falar que estavam filmando um filme sobre John Carter, um aventureiro de Marte, pensei logo “mas que droga, já estão filmando um Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, e agora vem essa de John Carter em Marte! Vamos entrar na moda de transformar ex-presidentes americanos em heróis? O que vem depois? George Bush: o Rei da Floresta?”.
E eis que eu
não podia estar mais errado, pois o tal do personagem não tinha sido inventado
há pouco tempo, mas sim, foi criado por Edgar Rice Burroughs em 1912, criador
de um verdadeiro ícone da literatura e do cinema mundial, Tarzan! E olha que a
saga nos livros possui 11 volumes!
Apesar da trama
não apresentar nada que já não tenha sido mostrado antes no cinema, a história
de alguém que acaba caindo no meio de uma guerra estranha, em um mundo
diferente, e acaba se tornado aquele que vai definir os rumos do embate,
arranjando briga com o vilão, e ficando de namorico com a mocinha, o modo como
o filme se apresenta e é conduzido, o faz ser um verdadeiro cinemão pipoca,
onde o que vale mais é a aventura, como as consagradas franquias Piratas do
Caribe e Star Wars.
Custando
declarados 250 milhões de doletas, possui grandes efeitos especiais muito bem
criados, na construção dos belos e desérticos cenários do Planeta Vermelho,
máquinas alienígenas bastante curiosas e criaturas bem variadas, inclusive os marcianos
verdes, que aqui possuem quatro braços e 2 metros e meio de altura!
Vai encarar?
| El pegador! |
Os
protagonistas se saem muito bem, possuem a química certa que faz o filme fluir,
mas não espere grandes atuações. Taylor Kitsch, escolhido pra arrancar os
suspiros do público feminino, mais conhecido como o Gambit de Wolverine (naquela
“origem” com Hugh Jackman), vive um ex soldado da Guerra Civil americana,
amargurado pelas perdas da guerra, faz um John Carter eficiente, que entre uma
cena engraçada e outra de batalha (como a que ele sofre para se acostumar com a
gravidade do planeta Marte), aos poucos vai se importando com os destinos
daqueles que vivem em meio ao conflito.
| "Tô a cara da Pitty!" |
A bela
princesa Dejah Thoris é vivida por Lynn Collins (o colírio do filme), que
também já foi envolvida com o carcaju baixinho, Wolverine, na sua adaptação de
“origem”, como a Silver Fox. É valente e maneja a espada muito bem, dando
mostras de ser tão durona quanto o par nas cenas de ação.
William Dafoe, totalmente escondido na pele
verde digital do líder tribal Tars Tarkas impõe boa presença com sua voz já bem
conhecida no meio cinematográfico, outra atriz conhecida que “vestiu” a pele
verde foi Samantha Morton, de Minority Report e Elizabeth: a Era de Ouro.
| Eu sou do mal... |
O cargo de
antagonista ficou com Dominic West (de Justiceiro: em Zona de Guerra, 300, Star
Wars: Episódio 1), interpretando Sab Than (Satan, sacou? Dãããã...), que fez o
que o roteiro lhe permitiu, ou seja, deixou no piloto automático. Não foi
criado momento algum pra trabalhar suas motivações, ou seja, o cara queria o
que queria e pronto, ou mesmo tentou-se desenvolver algo que despertasse
interesse em quem estava assistindo sobre de onde vem o cara, etc. Ponto
negativo para o núcleo vilanesco.
Também tem os
carequinhas manipuladores, que acredito, poderiam ser mais explicados em uma
continuação futura, mas duvido que a Disney vá arriscar tão logo, ou sequer dar
outra chance ao aventureiro de Barsoom, visto que a própria empresa declarou
que deve registrar perdas de 200 milhões, sendo que até agora, o filme faturou
185 milhões no mundo, nem conseguiu se pagar ainda, e eu sinceramente não saberia
a real razão do porque o filme ter falhado, pois ele cumpre com bastante
tranqüilidade o check-list do sucesso Hollywoodiano, e eu chutaria que um dos
problemas poderia ser exatamente esse: nós já vimos essa história antes em
outras películas. Talvez eles pudessem ter dado umas enxugadas no orçamento
estapafúrdio, e trabalhado num marketing mais atraente (gastaram mais de 100
milhões só de propaganda e divulgação), o fato é que agora, ele se posiciona
lado a lado com outros grandes fracassos recentes da indústria.
Mas essa é a
dura lei do cinema, e já estou começando a achar que Marte é um péssimo
argumento pra filmes, o último que fez sucesso e o tinha como cenário, que eu
me lembre foi Total Recall, o nosso Vingador do Futuro, com Schwarza no auge do
cinema de ação dos anos 90! Duvida? Marte Precisa de Mães, Fantasmas de Marte,
Doom, Planeta Vermelho, Missão Marte, a Experiência 2, Marte Ataca!...uh...só
bagulho de “alta qualidade”!
Nota: 7
Pra mim o problema de Marte nos cinemas, atualmente, é quye todo mundo já tá cansado de saber que aquele planeta não vai poder sustentar qualquer tipo de vida sem uma estrutura que proporcione isso, como no filme do Schwarza. Fora que de histórias batidfas eu já estou de saco cheio...
ResponderExcluirFui ver esse filme justamente por causa do John Carter de Edgar Rice Burroughs mesmo, porque eu já tinha ouvido falar no personagem antes e me interessei. E concordo com vocês, o filme é bom, e só deve ter falhado porque é um tema repetido, e acaba perdendo a graça...
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