1 de abr. de 2012

John Carter: entre a Diversão e o Fracasso

Na primeira vez que ouvi falar que estavam filmando um filme sobre John Carter, um aventureiro de Marte, pensei logo “mas que droga, já estão filmando um Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, e agora vem essa de John Carter em Marte! Vamos entrar na moda de transformar ex-presidentes americanos em heróis? O que vem depois? George Bush: o Rei da Floresta?”.



E eis que eu não podia estar mais errado, pois o tal do personagem não tinha sido inventado há pouco tempo, mas sim, foi criado por Edgar Rice Burroughs em 1912, criador de um verdadeiro ícone da literatura e do cinema mundial, Tarzan! E olha que a saga nos livros possui 11 volumes!

Apesar da trama não apresentar nada que já não tenha sido mostrado antes no cinema, a história de alguém que acaba caindo no meio de uma guerra estranha, em um mundo diferente, e acaba se tornado aquele que vai definir os rumos do embate, arranjando briga com o vilão, e ficando de namorico com a mocinha, o modo como o filme se apresenta e é conduzido, o faz ser um verdadeiro cinemão pipoca, onde o que vale mais é a aventura, como as consagradas franquias Piratas do Caribe e Star Wars.

Custando declarados 250 milhões de doletas, possui grandes efeitos especiais muito bem criados, na construção dos belos e desérticos cenários do Planeta Vermelho, máquinas alienígenas bastante curiosas e criaturas bem variadas, inclusive os marcianos verdes, que aqui possuem quatro braços e 2 metros e meio de altura!

Vai encarar?

El galã...
El pegador!
Os protagonistas se saem muito bem, possuem a química certa que faz o filme fluir, mas não espere grandes atuações. Taylor Kitsch, escolhido pra arrancar os suspiros do público feminino, mais conhecido como o Gambit de Wolverine (naquela “origem” com Hugh Jackman), vive um ex soldado da Guerra Civil americana, amargurado pelas perdas da guerra, faz um John Carter eficiente, que entre uma cena engraçada e outra de batalha (como a que ele sofre para se acostumar com a gravidade do planeta Marte), aos poucos vai se importando com os destinos daqueles que vivem em meio ao conflito.

"Tô a cara da Pitty!"
A bela princesa Dejah Thoris é vivida por Lynn Collins (o colírio do filme), que também já foi envolvida com o carcaju baixinho, Wolverine, na sua adaptação de “origem”, como a Silver Fox. É valente e maneja a espada muito bem, dando mostras de ser tão durona quanto o par nas cenas de ação.


 William Dafoe, totalmente escondido na pele verde digital do líder tribal Tars Tarkas impõe boa presença com sua voz já bem conhecida no meio cinematográfico, outra atriz conhecida que “vestiu” a pele verde foi Samantha Morton, de Minority Report e Elizabeth: a Era de Ouro.

Eu sou do mal...

O cargo de antagonista ficou com Dominic West (de Justiceiro: em Zona de Guerra, 300, Star Wars: Episódio 1), interpretando Sab Than (Satan, sacou? Dãããã...), que fez o que o roteiro lhe permitiu, ou seja, deixou no piloto automático. Não foi criado momento algum pra trabalhar suas motivações, ou seja, o cara queria o que queria e pronto, ou mesmo tentou-se desenvolver algo que despertasse interesse em quem estava assistindo sobre de onde vem o cara, etc. Ponto negativo para o núcleo vilanesco.

Também tem os carequinhas manipuladores, que acredito, poderiam ser mais explicados em uma continuação futura, mas duvido que a Disney vá arriscar tão logo, ou sequer dar outra chance ao aventureiro de Barsoom, visto que a própria empresa declarou que deve registrar perdas de 200 milhões, sendo que até agora, o filme faturou 185 milhões no mundo, nem conseguiu se pagar ainda, e eu sinceramente não saberia a real razão do porque o filme ter falhado, pois ele cumpre com bastante tranqüilidade o check-list do sucesso Hollywoodiano, e eu chutaria que um dos problemas poderia ser exatamente esse: nós já vimos essa história antes em outras películas. Talvez eles pudessem ter dado umas enxugadas no orçamento estapafúrdio, e trabalhado num marketing mais atraente (gastaram mais de 100 milhões só de propaganda e divulgação), o fato é que agora, ele se posiciona lado a lado com outros grandes fracassos recentes da indústria.

Mas essa é a dura lei do cinema, e já estou começando a achar que Marte é um péssimo argumento pra filmes, o último que fez sucesso e o tinha como cenário, que eu me lembre foi Total Recall, o nosso Vingador do Futuro, com Schwarza no auge do cinema de ação dos anos 90! Duvida? Marte Precisa de Mães, Fantasmas de Marte, Doom, Planeta Vermelho, Missão Marte, a Experiência 2, Marte Ataca!...uh...só bagulho de “alta qualidade”!




Nota: 7

2 comentários:

  1. Pra mim o problema de Marte nos cinemas, atualmente, é quye todo mundo já tá cansado de saber que aquele planeta não vai poder sustentar qualquer tipo de vida sem uma estrutura que proporcione isso, como no filme do Schwarza. Fora que de histórias batidfas eu já estou de saco cheio...

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  2. Fui ver esse filme justamente por causa do John Carter de Edgar Rice Burroughs mesmo, porque eu já tinha ouvido falar no personagem antes e me interessei. E concordo com vocês, o filme é bom, e só deve ter falhado porque é um tema repetido, e acaba perdendo a graça...

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