Fallout, uma franquia tão absurdamente foda que é impossível não falar dela e é igualmente impossível dizer tudo que há pra dizer sobre o tema, falarei apenas dos que joguei com mais dedicação (quase todos).
Sempre fui fanático por Fallout desde o primeiro título, produzido pela
Black Island e publicado pela Interplay em 1997, mas o primeiro que eu
joguei de verdade foi Fallout 2 (mesma produtora, um ano mais tarde).
Como o jogo começa 80 anos após os acontecimentos do primeiro título eu
tive que jogar o primeiro para não perder a história, e não me
arrependi.
Desde então começou um relacionamento de
fanatismo pela franquia, e alguns fatores contribuíram enormemente para
isso. Primeiro porque eu sou um PC gamer, não tinha nenhum outro console na época
e não me diverti muito jogando Final Fantasy ou Brath of Fire em emuladores, embora
sejam jogos clássicos que marcaram gerações. Mas não eram Fallout.
Para começar Fallout tem uma ambientação
pós apocalíptica que reflete os anos 50 americano, em um futuro bem
retro (entende?), e uma paranóia nuclear épica. Desconheço outro jogo
lançado no mesmo período com essa mesma temática, nota dez em
originalidade? (ou zero em memória?)
Outro
ponto muito importante do jogo é que ele é um verdadeiro Open World,
faça o que quiser quando quiser e como quiser, se não quiser fazer
também tá tudo numa boa (nem sempre). Um dos motivos por eu ter me apaixonado logo de
cara é que o game te dá a liberdade de transitar por Wasteland da forma
que bem desejar, não fica preso à história central nem amarrado a uma
jogabilidade traçada pelo roteirista, em Fallout o roteiro é seu (pelomenos os meios). Antes
desse jogo eu não sabia o que era um sistema Open World, hoje o jogo
pode ser muito ruim, mas se for open world pra mim vale a pena ser
jogado até o fim.
É muito importante lembrar que entre
Fallout 2 e Fallout 3 passaram-se dez anos (no mundo real, minha gente), e que o terceiro título da
série viria com mudanças radicais na estrutura do jogo. Se antes a Black
Island trazia um jogo quase que totalmente tático baseado em point and
click, a Bethesda, nova produtora da franquia, inovou e colocou o
jogador na pele do herói único.
Os
grandes grupos de personagens deram espaço a uma jogabilidade que
poderia variar entre primeira e terceira pessoa marcando o início de um
quase shooter. Isso porque o jogo seria lançado também para o
Playstation 3 e XBOX 360. Quem era acostumado com a maneira tática de
jogar levou um tempo para se acostumar com o novo mecanismo, mas não
passou a desgostar do jogo.
Outra parte também abolida do jogo foi a
tela de viagem, aquela cansativa tela do mapa onde se via apenas um
ponto indo para algum lugar. Em Fallout 3, Wasteland é um grande campo
aberto a ser explorado em seus mínimos detalhes, o mapa ainda existe e
pode ser utilizado para viagens rápidas entre pontos já descobertos pelo
jogador, fora isso é pé na estrada.
Vale lembrar que eu não respeito muito as pessoas que usam Fast Travelo em jogos Open Worlds, perde todo o conceito.
Essa nova maneira de jogar Fallout deixou
muito mais evidente uma característica que já era memorável na série, o
tamanho do jogo. Explorar Wasteland é um passatempo quase relaxante.
Isso faz com que o tempo de jogo aumente exponencialmente, não só porque
o jogador fica curioso pra saber o que há de novo no mundo mas também
porque ele é jogado para pontos extremos na região pela história
principal, passando por outros pontos e conhecendo outras pessoas com
quem fazer negócios ou pra quem cumprir tarefas.
Mas a liberdade total veio somente dois
anos depois com Fallout New Vegas, agora produzido pela Obsidian
Entertainment, mas ainda em parceria com a Bethesda. Agora o jogador tem
a liberdade de escolher que tipo de final deseja para o seu jogo, dando
suporte a qualquer coalizão que quiser. Se em Fallout 3 era possível
decidir os meios, mas o final era praticamente o mesmo de sempre, em New
Vegas o final do jogo está inteiramente ligado às ações que o jogador
toma, o que contribuiu ainda mais para que o game tenha proporções quase
infinitas em possibilidades.
Fallout New Vegas inovou mais uma vez a
maneira de se jogar Fallout com o incrível Modo Hardcore. Um opcional
que proporciona mais realismo e intensidade no ambiente de jogo. Com uma
dificuldade de jogo superior, os gamers são encorajados a usar
estratégias eficazes, racionalizar recursos, melhorar táticas de combate
e prestar muita atenção ao ambiente em sua volta.
A dificuldade é aumentada de várias
maneiras: Stimpaks e itens de cura, incluindo alimentos não curam o
jogador imediatamente, mas durante um período de tempo, a cura de
membros aleijados exige um “Doctor’s Bag” ou, como alternativa, uma visita
a um médico; munição tem peso; o personagem tem que comer, beber e
dormir para evitar a fome, a desidratação e exaustão, respectivamente.
Por todos esses motivos Fallout é uma
franquia incrível, jogabilidade excepcional, enredo original, mecanismos
de jogo bem contruidos, narrativas milimetricamente arquitetadas onde
cada NPC tem uma história de vida longa para contar. É um jogo que eu
recomendo para aqueles que têm paciência e que gostam de muita ação, e
vale muito a pena jogar desde o primeiro título, eu mesmo farei isso em
breve novamente, só pela nostalgia.

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