19 de mar. de 2012

Fallout – Quando Tamanho É Documento


Fallout, uma franquia tão absurdamente foda que é impossível não falar dela e é igualmente impossível dizer tudo que há pra dizer sobre o tema, falarei apenas dos que joguei com mais dedicação (quase todos). 





Sempre fui fanático por Fallout desde o primeiro título, produzido pela Black Island e publicado pela Interplay em 1997, mas o primeiro que eu joguei de verdade foi Fallout 2 (mesma produtora, um ano mais tarde). Como o jogo começa 80 anos após os acontecimentos do primeiro título eu tive que jogar o primeiro para não perder a história, e não me arrependi. 

Desde então começou um relacionamento de fanatismo pela franquia, e alguns fatores contribuíram enormemente para isso. Primeiro porque eu sou um PC gamer, não tinha nenhum outro console na época e não me diverti muito jogando Final Fantasy ou Brath of Fire em emuladores, embora sejam jogos clássicos que marcaram gerações. Mas não eram Fallout.

Para começar Fallout tem uma ambientação pós apocalíptica que reflete os anos 50 americano, em um futuro bem retro (entende?), e uma paranóia nuclear épica. Desconheço outro jogo lançado no mesmo período com essa mesma temática, nota dez em originalidade? (ou zero em memória?)
 
Outro ponto muito importante do jogo é que ele é um verdadeiro Open World, faça o que quiser quando quiser e como quiser, se não quiser fazer também tá tudo numa boa (nem sempre). Um dos motivos por eu ter me apaixonado logo de cara é que o game te dá a liberdade de transitar por Wasteland da forma que bem desejar, não fica preso à história central nem amarrado a uma jogabilidade traçada pelo roteirista, em Fallout o roteiro é seu (pelomenos os meios). Antes desse jogo eu não sabia o que era um sistema Open World, hoje o jogo pode ser muito ruim, mas se for open world pra mim vale a pena ser jogado até o fim.

É muito importante lembrar que entre Fallout 2 e Fallout 3 passaram-se dez anos (no mundo real, minha gente), e que o terceiro título da série viria com mudanças radicais na estrutura do jogo. Se antes a Black Island trazia um jogo quase que totalmente tático baseado em point and click, a Bethesda, nova produtora da franquia, inovou e colocou o jogador na pele do herói único.

Os grandes grupos de personagens deram espaço a uma jogabilidade que poderia variar entre primeira e terceira pessoa marcando o início de um quase shooter. Isso porque o jogo seria lançado também para o Playstation 3 e XBOX 360. Quem era acostumado com a maneira tática de jogar levou um tempo para se acostumar com o novo mecanismo, mas não passou a desgostar do jogo.

Jogar em modo FPS é relativamente mais tenso, e trás uma identificação quase que imediata com o personagem, até porque agora você é quem escolhe a aparência do avatar e o controla literalmente desde o seu nascimento. Posso dizer sem medo que engatinhar pelo quarto e escolher os postos de S.P.E.C.I.A.L. no livrinho infantil foi uma das experiências mais intrigantes que eu vivenciei em um game.

Outra parte também abolida do jogo foi a tela de viagem, aquela cansativa tela do mapa onde se via apenas um ponto indo para algum lugar. Em Fallout 3, Wasteland é um grande campo aberto a ser explorado em seus mínimos detalhes, o mapa ainda existe e pode ser utilizado para viagens rápidas entre pontos já descobertos pelo jogador, fora isso é pé na estrada.

Vale lembrar que eu não respeito muito as pessoas que usam Fast Travelo em jogos Open Worlds, perde todo o conceito.

Essa nova maneira de jogar Fallout deixou muito mais evidente uma característica que já era memorável na série, o tamanho do jogo. Explorar Wasteland é um passatempo quase relaxante. Isso faz com que o tempo de jogo aumente exponencialmente, não só porque o jogador fica curioso pra saber o que há de novo no mundo mas também porque ele é jogado para pontos extremos na região pela história principal, passando por outros pontos e conhecendo outras pessoas com quem fazer negócios ou pra quem cumprir tarefas.


Mas a liberdade total veio somente dois anos depois com Fallout New Vegas, agora produzido pela Obsidian Entertainment, mas ainda em parceria com a Bethesda. Agora o jogador tem a liberdade de escolher que tipo de final deseja para o seu jogo, dando suporte a qualquer coalizão que quiser. Se em Fallout 3 era possível decidir os meios, mas o final era praticamente o mesmo de sempre, em New Vegas o final do jogo está inteiramente ligado às ações que o jogador toma, o que contribuiu ainda mais para que o game tenha proporções quase infinitas em possibilidades.

Não acredito que seja impossível fazer tudo que se há pra fazer no game, mas tenho certeza que não se pode fazer isso em apenas um jogo, seria necessário jogá-lo algumas dezenas de vezes. Isso se o jogador não quiser apelar para cheats. (também não respeito cheaters)

Fallout New Vegas inovou mais uma vez a maneira de se jogar Fallout com o incrível Modo Hardcore. Um opcional que proporciona mais realismo e intensidade no ambiente de jogo. Com uma dificuldade de jogo superior, os gamers são encorajados a usar estratégias eficazes, racionalizar recursos, melhorar táticas de combate e prestar muita atenção ao ambiente em sua volta.


A dificuldade é aumentada de várias maneiras: Stimpaks e itens de cura, incluindo alimentos não curam o jogador imediatamente, mas durante um período de tempo, a cura de membros aleijados exige um “Doctor’s Bag” ou, como alternativa, uma visita a um médico; munição tem peso; o personagem tem que comer, beber e dormir para evitar a fome, a desidratação e exaustão, respectivamente.

Por todos esses motivos Fallout é uma franquia incrível, jogabilidade excepcional, enredo original, mecanismos de jogo bem contruidos, narrativas milimetricamente arquitetadas onde cada NPC tem uma história de vida longa para contar.  É um jogo que eu recomendo para aqueles que têm paciência e que gostam de muita ação, e vale muito a pena jogar desde o primeiro título, eu mesmo farei isso em breve novamente, só pela nostalgia.

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